Eventos terão a participação do cangadeiro e músico Edmilson Ribeiro, da pedagoga Rosângela Afonso, dos mestres em capoeira China e Sereia
Uma oficina de memórias ancestrais e um encontro de capoeira vão acontecer neste sábado (4/11) na área externa da Fazenda Boa Esperança. A primeira será ministrada pelo músico e congadeiro Edmilson Ribeiro e a pedagoga Rosângela Afonso e vai contar com brincadeiras, música e contação de histórias. A segunda unirá os mestres China e Sereia em torno de uma oficina e uma roda de capoeira.
“Essa programação faz parte do Novembro Negro na Fazenda Boa Esperança. Todos os finais de semana, teremos atividades em referência ao mês da consciência negra, como palestras, oficinas e encontros”, destaca Romeu Matias, produtor executivo da Fazenda. O Novembro Negro é uma campanha nacional que visa relembrar e evidenciar as lutas e resistências da população negra contra o racismo, preconceito, discriminação racial e desigualdades sociais.
Ancestralidade
Formado em música pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), nascido e criado no Congado, Edmilson Ribeiro tem um interesse especial pelo tema ancestralidade, a ponto de ter virado uma tese de seu trabalho na faculdade. Ao dissertar sobre o tema, ele quer despertar a reflexão sobre as histórias de luta e resistência dos povos africanos e indígenas.
Na oficina, o congadeiro resgata antigas brincadeiras e conta histórias dos antepassados, explicando a origem do Congado enquanto manifestação cultural do povo africano, algo que é, às vezes, erroneamente interpretado. Tudo é feito através da musicalidade.
Ribeiro contará na oficina com a colaboração da esposa, a pedagoga Rosângela Afonso. “Me fascina a contação de história. Hoje, estamos com o projeto Memórias Ancestrais, onde trabalhamos a cultura antirracista. Ao nosso olhar, a criança não nasce racista, mas se torna racista. Queremos trabalhar essa questão desde a infância até a vida adulta”, explica. “O que nós temos a oferecer com nossa ancestralidade, O podemos aprender com ela e deixar como reflexão para crianças e adultos”, acrescenta.
Capoeira
No período da tarde, capoeiristas de Belo Vale, Brumadinho e Ibirité participarão, segundo Luciane Moreira de Assis, a Mestre Sereia, de um “encontrão” na Fazenda, com a presença de integrantes das comunidades quilombolas de Chacrinha dos Pretos e Boa Morte. “Qualquer pessoa, capoeirista ou não, pode participar do aulão”, destaca Mestre Sereia.
Na oficina, ela e Mestre China farão exercícios de mobilidades, movimentações básicas de capoeira e sequências de golpes, para que as pessoas, mesmo aquelas que nunca fizeram capoeira, possam vivenciar pela primeira vez. “Também vivenciaremos musicalidades da capoeira, cantigas de roda e, por fim, uma roda com a participação de todos”, afirma.
O apelido Sereia – nos grupos de capoeira é tradição (mas não obrigatório) o praticante ser “batizado” com um nome que se associe às suas caraterísticas – surgiu durante a passagem de Luciane pela cidade de Bonfim, em 1996. “Eu ia à aula com uma calça boca de sino, cheia de escamas de peixe, então uma professora da escola me deu esse apelido”, conta. Em 2011, Luciane se formou em educação física, e em 2019, se tornou mestre de capoeira. Na oficina, Mestre Sereia estará conduzindo a aula juntamente com Mestre China.
Mestre Sereia reafirma sua paixão pela capoeira e se orgulha de conseguir fazer disso sua profissão. Atualmente, ela dá aulas particulares no Centro Cultural Cecília Meirelles e em projetos sociais, como o Espaço ADAV e Gente da Gente, em Ibirité, onde ensina capoeira a crianças, adolescentes, adultos e pessoas da melhor idade, formado por mulheres acima de 60 anos, onde os movimentos são feitos de forma adaptada a cada faixa etária.
A Fazenda Boa Esperança está aberta à visitação, por meio do Projeto de Cooperação “Fazenda Boa Esperança: Redescobrindo os Sentidos”. O projeto é uma realização do Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Cultura e Turismo, por meio do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico de Minas Gerais (Iepha-MG). A correalização é da APPA – Arte e Cultura. Viabilizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura. O patrocínio é da Copasa e do Instituto Cultural Vale. O apoio é da Prefeitura Municipal de Belo Vale.
Confira a programação
Dias 4 (sábado)
9h às 11h30: oficina “Memórias Ancestrais”, com Edmilson Ribeiro e Rosângela Afonso e participação de 40 alunos de musicalização.
14h às 16h: oficina e encontro de capoeira (capoeiristas de Brumadinho, das comunidades quilombolas de Chacrinha dos Pretos e Boa Morte, de Belo Vale), e oficina ministrada por mestres China e Sereia, com a participação de 95 pessoas.
Foto: Divulgação